quinta-feira, 24 de maio de 2012

Normal

Era uma pessoa assim, normal.

Acordava todo dia cedo, lutava contra o relógio de cinco em cinco minutos durante meia hora ou mais para levantar. Tomava um banho rápido, café da manhã, escovava os dentes e saia para o trabalho nunca depois das sete horas e quinze minutos, como é normal.

Ia ao ponto de ônibus e esperava uns dez minutos pela lotação lotada, normal, e ia em pé na maior parte dos seus cinquenta e cinco minutos de viagem ao trabalho, isso por que morava a uma distância normal do trabalho, algo que daria uns quarenta minutos caso fosse a pé. É o engarrafamento que hoje é, assim, normal.

Tinha a sorte de pegar o trabalho às oito horas e trinta minutos, e trabalhava normal a manhã toda, sem muito afinco, mas também sem preguiça. Às doze horas e trinta minutos saia para seu almoço como as pessoas normais fazem, e sempre escolhia entre comida a quilo ou o p.f. da região, ambos normais, nem bons, nem ruins, com preço condizente.

Após sua uma hora e meia de almoço, volta à empresa devidamente cafeinado, como é normal. No início da tarde dava até uma preguiça da barriga cheia e o corpo querendo um pequeno descanso para  fazer a digestão melhor. Depois voltava ao ritmo normal que executa durante as manhãs.

Faltando cinco minutos para as dezoito horas, arrumava sua mesa e desligava o computador, de forma que saísse às dezoito horas, como era normal. Às vezes fazia hora besta, que é como se chamam as horas extras que não são pagas, como é normal.

Antes de ir pra casa, sempre passava em um supermercado ou alguma loja de departamento para comprar coisas que precisava. Sempre pouco. Comida, roupa, toalha, utensílios domésticos, de vez em quando um móvel, mas tudo, assim, normal.

E, então, pegava o ônibus da volta pra casa que, nesse horários, entre as dezoito horas e trinta minutos e dezenove horas, é sempre mais lotado que de manhã, e também demora mais para chegar ao ponto e bem mais no trajeto, de forma que entre chegar no ponto e chegar em casa passavam-se mais de duas horas, mas isso, como sabemos, é normal.

E então, chegando em casa, fazia meia dúzia de quatro afagos no cachorro que festejava, dava um beijinho no conjugue, e sentava para ver TV, sem se importar com o que estava passando, fosse novela, futebol, jornal ou algum programa de variedades, e fazia isso de uma forma, assim, normal.

Depois tomava um lanche, um banho e ia pra cama dormir seu sono normal. E seu sono lhe trazia sonhos sem muitos elementos estranhos, sem locais longínquos, sem personagens fortes, sem grandes feitos e sem esperanças demasiadas. Sonhos que mal se diferiam da sua vida, assim, normal!

P.S.: p.f. significa "prato feito".
P.P.S.: P.S. significa post scriptum.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Erros de MS Windows e MS-Office

Muitas pessoas perguntam o porque de porque o MS-Windows e o MS-Office dão tantos erros. Eu tenho 3 respostas para isso.

A primeira resposta, e muito comum, é porque o computador, o hardware, o equipamento, foi mal dimensionado para rodar todos os programas que se precisa. Assim, fica lento e a probabilidade de erros é maior pelo uso excessivo os recursos de hardware. Como analogia, é como carregar 15000Kg em um caminhão projetado apra 10000Kg. Pode funcionar, mas a chance de se ter problemas é alta.

A segunda resposta, e a mais comum, é o não licenciamento do software. Coloca-se o MS-Windows e o MS-Office com "licença" pirateware e, depois, roda-se um programa "ativador" cuja única função é fazer o MS-Windows e o MS-Office se entenderem como originais. Ou seja, você propositalmente roda um programa feito para fazer seu computador funcionar de forma errada. Um programa feito para fazer um computador funcionar de forma errada tem um nome específico: vírus de computador. Em outras palavras, você mesmo instala um vírus nele. Um vírus cuja procedência você desconhece e não sabe o que mais ele faz. E você fica feliz com isso, pois economizou alguns reais.

A terceira resposta é a que eu dou quando o hardware está bem dimensionado e TODO software instalado é original: eu não sei. Entendam: a Microsoft não libera o código fonte do MS-Windows ou do MS-Office para auditoria da comunidade. Ao não fazer isso, ela impede que os motivos dos erros sejam conhecidos. Isso faz parte da cultura e da estratégia dela. É uma estratégia válida e legal, apesar de impedir as pessoas de saberem o que de fato aocntece em um computador que execute o MS-Window e o MS-Office. A única coisa que de fato sabemos é que um computador bem dimensionado e com TODOS os softwares legalizados dá, sim, menos erros. E MUITO menos erros. Isto é factual. 

Em outras palavras, não investir em estrutura computadocional, adquirindo equipamentos bem dimensionados e com softwares legalizados é um risco ao seu negócio e à segurança dos seus dados.

Se seus dados pessoais ou empresariais não têm valor, tudo bem. Se possuem qualquer valor, é preciso rever sua política em relação à informática.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Custos da TI

Já a 3 anos, um pouco mais na verdade, eu trabalho na área de Tecnologia da Informação (TI) com suporte, projetos e consultoria. Nesse tempo, eu percebi a dificuldade que o micro e o pequeno empresário brasileiro tem de entender os custos e os riscos da TI. E sei que isso não vem de agora.

O Brasil sofre de uma cultura da ilegalidade muito forte. Tudo o que puder ser roubado, todo trabalho que puder não ser pago, será roubado, não será pago. Além disso, há a cultura do "jeitinho", como se tudo pudesse ser consertado por um baixo custo e funcionar tão bem quanto novo. Não a toa o carro preferido dos brasileiros era, ou ainda é, o fusca que, com uma chave de fenda, uma caneta BIC,um rol ode fita crepe e um rolo de barbante, era facilmente "consertado" e andaria por mais 10 ou 15 quilômetros.

Isso poderia funcionar bem se tudo o que você queria era ir na feira da praça com sua família. Mas nunca funcionou se vocÊ de fato precisava do fusca pra trabalhar. O conserto precisaria ser profissional, para que ele andasse milhares de quilômetros sem dar outro problema. Quero dizer, não no Brasil. O conserto semi-profissional, que te levava ao "mecânico" que sempre "resolvia" seus problemas a cada 2 meses era o preferido, pois tinha baixo custo e peças usadas, também de baixo custo.

O mesmo acontece com a TI. O problema é que, quando você depende do computador para trabalhar, ele não pode ser um risco, ou seja, você não deve "gambiarrá-lo". Computadores, como qualquer equipamento, desgasta e tem vida útil. Apesar do desgaste não ser visualmente perceptível, ele ocorre em níveis microscópicos, devido ao aquecimento (efeito joule) causado pelo atrito dos elétrons correndo pelos condutores. Além desse desgaste que é, de fato, inevitável, ainda há o desgaste por sobretensão, uma vez que é comum não haver protetores contra surtos na caixa de disjuntores (alguns lugares nem possuem disjuntores) e no prórpio computador, ficando tudo a cargo de um filtro de linha ou um estabilizador de tensão que ajudam, mas não são suficientes.

E mesmo que sua estrutura elétrica seja perfeita, há o desgaste natural. As empresas que produzem os melhores computadores trabalham com vida útil de 5 anos. Em outras palavras, das melhores empresas espera-se que um computador trabalhe por 5 anos e qualquer tempo além disso é "hora extra". De empresas boas espera-se 4 anos e de máquinas montadas em lojas 3 anos, isso se as peças forem de qualidade. Nesse sentido, não recomendamos a aquisição de nenhum computador cuja garantia seja inferior a 3 anos.

Não recomendamos porque consideramos o tempo de vida real do equipamento o da garantia, mesmo que ele possa durar mais, e provavelmente o fará, não há garantia; e isso impacta no custo. Para explicara isso, faremos contas simples. A conta é a divisão do custo pelas horas de trabalho do tempo de uso garantido pelo fabricante. As máquinas possuem a mesma configuração, variando apenas a garantia:

Processador: Intel i3 2120
Memória RAM: 4GB
Disco Rígido: 250GB
Placa de Vídeo: Intel HD 2000 Integrada
Sistema Operacional: Windows 7 Professional
Suíte de Escritório: MS Office Starter Edition
Teclado e Mouse

Dados Temporais:
1 ANO = 252 DIAS ÚTES
1 DIA ÚTIL = 8 HORAS

Valores:
R$1717,00 para 3 anos de garantia
R$1801,00 para 4 anos de garantia
R$1883,00 para 5 anos de garantia
(Como a cotação foi realizada em 20/04/12 em um empresa séria, focada em público corporativo, não havia garantia inferior a 3 anos para o equipamento)

       | TOTAL | ANO  |DIA |HORA|% HORA|
3 anos |1717,00|572,33|2,28|0,29| 100% |
4 anos |1801,00|450,25|1,79|0,23|79,32%|
5 anos |1883,00|376,60|1,50|0,19|65,52%|
(Os resultados foram sempre arredondados para cima)

O computador é bem dimensionado para a maioria dos trabalhos adminsitrativos e contábeis, sendo necessário, em alguns casos, apenas a aquisição de um pacote de suíte de escritório com mais ferramentas e estima-se que não precisará de upgrades por 5 anos. Para empresas com menos de 10 computadores é possível utilisar o MS Security Essentials como antivírus gratuito.

O custo de estrutura de R$0,29/hora para um computador de qualidade completamente legalizado, a tranquilidade e a garantia de funcionamento é baixo, pois ele diminuirá as horas sem trabalho por manutenção do computador, permitirá melhor alocação da equipe de TI, seja interna ou terceirizada.

O que falta ao brasileiro não é a competência técnica na área de atuação da empresa, mas profissionalismo administrativo, levando em conta não apenas custos, mas também os riscos, o fluxo de trabalho e o bem estar daqueles que de fato realizam os trabalhos, ou seja, os empresários. Investimentos em TI de qualidade proporcionam melhor ambiente de trabalho, redução de custos, diminuição de riscos, melhoria do fluxo de trabalho e melhor alocação de recursos.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Irresponsabilidade Religiosa

Como eu sempre deixei claro, eu sou ateu. Considero que considerar (ficou bonito, heim?) a capacidade racional e de percepção de passagem do tempo humana como "alma imortal" é um erro grotesco. Mas para esse post em específico eu considerarei que a alma, no sentido religioso, existe e que ela é imortal e eterna. Por eterna eu considero no entendimento literal da palavra ou como proporção em relação ao tempo de vida. Se sua religião considera que todo o universo e as almas são destruídos quando o deus que sonha o universo acorda, considero que uma existência terrena de 100 anos (sim, exagerado para cima) é uma mera partícula na existência de 13.000.000.000 de anos do universo, tornando a alma eterna em relação a uma existência carnal, ou seja, a única que pode-se ter certeza absoluta.

Então, clarificado que, para esse post, considero verdadeira a existência carnal de 100 anos de E a existência de uma alma eterna, darei sequência à explanação.

Quando seu corpo, cujo tempo de existência é insignificante em comparação ao tempo de existência de sua alma, tem um problema, você procura um médico. Pensemos porque procura-se um médico, ou seja, o que é um médico.

Médico é uma pessoa que estudou para conhecer os sintomas, as doenças e o tratamentos a essas doenças. O médico que você procura não apenas estudou 6 anos na universidade como, em vários casos, fizeram especializações (residências) de, ao menos, 2 anos. Ou seja, no Brasil, um Clínico Geral estudou 8 anos para te atender. O que ele estuda? Estuda o resultado de pesquisas científicas sobre a anatomia humana e de patógenos, suas regularidades e irregularidades e dos tratamentos. Parte desses tratamentos são remédios alopáticos, estudados e criados por químicos, médicos e farmacêuticos. O remédio alopático é aprovado quando o grau de sucesso percentual no tratamento substancialmente maior que o resultado do tratamento com placebo.

Em outra palavras, você procura um profissional cuja profissão é EMBASADA em PESQUISAS CIENTÍFICAS que demonstram que a conjunção de determinados sintomas são sinais de uma determinada doença que é melhor tratada por um determinado remédio, isso tudo com comprovações estatísticas acessíveis.

Já quando você decide cuidar de sua alma eterna, quais são suas exigências? NENHUMA! Você não exige que aquele que tenta te convencer que aquela é a verdade te mostre dados confiáveis. Darei um exemplo mais claro:

Suponhamos que todas as religiões do mundo se resumam a 3: cristianismo, islamismo e espiritismo. Então, a escolha de uma dessas religiões determina o que acontecerá com você, considerando que só possa existir uma religião verdadeira.

No caso, eu escolhi, de propósito, duas religiões que possuem inferno e uma reencarnacionista. No caso, você tem apenas 33,33% de chance de não condenar sua alma eterna ao inferno, ou seja, escolhe a religião verdadeira. Apenas para dar um pequeno vislumbre, dê uma olhada na lista de religiões e na lista de mitologias da Wikipedia. Se você considerar apenas essas possibilidades como as que existem ou já tenham existido e que todas as que existem e que já tenham existido tenham sido registradas, então, considerando apenas as 45 religiões abraâmicas listadas, sua chance de escolher a correta é de 2,22%, ou seja, você possui 97,78% de chance de escolher a religião errada. Em outras palavras, você possui 97,78% de chance de estar cuidando de uma forma muito imprópria de sua alma imortal. E a menos a religião verdadeira seja o Espiritsmo, o Cao Dai ou o Iazdânismo que são as únicas religiões reencarnacionista das 45 citadas na lista de religiões, você simplesmente não terá uma segunda chance de acertar. Em resumo, se uma dessas 3 não forem a religião verdadeira, você tem realmente apenas 2,22% de chance de ir para o local que vão aqueles que deixam deus irado,

E como se escolhe a religião que se seguirá? Ou segue-se a dos pais, ou busca-se aquela cujos dizeres mais te contenta. Mas, em qualquer um desses casos, não se possui a menor indicação, seja probabilística ou lógica, de estar-se fazendo a escolha pela religião verdadeira.

A Irresponsabilidade Religiosa que dá nome a este post encontra-se exatamente no fato e exigir testes e comprovações para cuidar de algo que dura 100 anos (o corpo), mas exigir exatamente nenhum tipo de teste ou comprovação para cuidar de algo que dura eternamente. E isso é uma irresponsabilidade ENORME em relação a si mesmo.

Cabe a cada religioso confrontar seu sacerdote ou seu livro sagrado por esses dados, testes e comprovações. Se o confronto não resultar na demonstração factual de ser a sua religião a verdadeira, continuar nela passa a ser nada mais que um ato de irresponsabilidade com sua alma eterna.

sábado, 10 de dezembro de 2011

My Way

Mary Schimidt, colunista do Chicago Tribune, sugere que todos aqueles que possuem mais de 26 anos experimentem escrever um discurso de formatura como se fosse o orador. Ela mesma fez a experiência e escreveu um texto que ficou famoso no mundo inteiro: Wear Sunscreem (Use Filtro Solar). Agora, aos 32 anos, estou terminando a faculdade e não sou o orador da turma, mas seguirei o conselho dela e escrevo aqui aquele que seria o meu discurso, caso eu fosse o orador.


My Way


"And now, the end is near, so I face the final curtain". Com os versos escritos por Paul Anka e imortalizados por Elvis Presley e Frank Sinatra eu começo esse discurso que encerra este curso superior. Esse discurso é a última palavra daqueles que ainda não obtiveram a titulação, mas que estão prestes a fazê-lo.

O curso de Tecnologia em Processos Gerenciais do da Faculdade de Tecnologia do SENAI MG preocupa-se em ensinar aos educandos, da melhor forma possível, como gerenciar processos produtivos, iniciando no marketing e passando pelos processos financeiros, logísticos, legais e de gestão de pessoas.

Pessoas estas que são o fim de qualquer processo educativo. Pessoas que riem, que choram, que amam, que odeiam, enfim, que vivem.

E o que é a vida? A vida não é mais que uma infindável cadeia de processos, descritíveis ou não, ao redor de cada um de nós. Peço a todos que agora olhem para a sua esquerda [pequena pausa], para sua direita [pequena pausa], para frente e para trás [pequena pausa], e percebam que que aquela pessoa que está ali, a conheça você ou não, passou por infindáveis processos que a trouxeram até aqui, ao seu lado. E significa também que algum desses processos vocês compartilham. Algum processo anterior a este e que compartilham este processo de colação de grau.

A vida, meu amigos, é um macroprocesso maravilhoso. É bela, é rara e é gostosa. Viver é uma experiência fantástica cujo maior desafio é aprender a gerenciar os processos de nossa própria vida. É aprender a lidar com as pessoas que amamos, com aquelas que não amamos e com a mais difícil de todas, nós mesmos.

Peço que agora não olhem para os lados, para frente ou para trás, mas olhem para dentro [pequena pausa]. O que os trouxeram até aqui? De alguma forma foi a sensação de que, por algum motivo, queriam compartilhar esse momento com as pessoas que ali estão [aponta para os formandos], e, acreditem, somos gratos por isso.

Entre trancos e barrancos vamos passando pelos processos da vida, sorrindo, chorando, amando e odiando, enfim, vivendo, e esses processos nos trouxeram até aqui, e nos levarão além.

Agradecemos do fundo do nosso coração a todos, aos professores pelos ensinamentos e cobranças, aos funcionários pela presteza, aos colegas pelo companheirismo e, aos entes amados, que lá estavam nos melhores e nos pioremos momento, nos ajudando a levantar quando caíamos e nos ajudando a sermos cada vez melhores, dedicamos não só nossa gratidão, mas nosso amor e nosso carinho.

Exaltando aqueles que vieram antes e homenageando os formandos, deixo todos com as palavras de Paul Anka interpretadas por Frank Sinatra.

Obrigado!


terça-feira, 24 de maio de 2011

Um, com o todo!

Quanto mais eu leio, quanto mais eu ouço, quanto mais eu observo, quanto mais eu penso, mais e mais eu percebo o quanto o ser humano é medroso de se perceber como é.

Criamos, reciclamos e recriamos, durante nossos poucos milênios aqui, uma infinidade de mitos para fugir do que somos. É muito blablabla sem nenhum resultado. Ou mais acuradamente dizendo, nas melhores das hipóteses, sem nenhum resultado.

Sim, eu estou falando de mitos da criação. Não importa qual mito você siga, para os fiéis é uma forma de se sentir conectado com algo maior, para os sacerdotes, um modo de vida financiado pelos fiéis. Considero simplesmente crer em um mito da criação extremamente viável para homens da idade do bronze e para aqueles que, após a era do bronze, não tiveram acesso a informação e conhecimento.

A crença em um ou mais deus(es) não supre a necessária curiosidade de uma mente investigativa. Sempre, no final, depara-se com perguntas do tipo: e quem criou deus? e quem criou o caos da onde surgiu a vaca que deu a luz a Odin? E por aí vai. Pois, qualquer que seja o mito, sempre teve algo que sempre existiu: deus, o pai de deus, o caos, o vazio, o todo ou qualquer outra coisa ou ente que sempre esteve ali.

A ciência, por si, também tem seu limite de explicação. Não conseguimos, ainda, nem entender o que ocorreu no momento do Big Bang. Estamos tentando, com o LHC, chegar até ele. Se um dia chegarmos, não significa que conseguiremos entender tudo o que veio antes. Não significa, inclusive, que teremos como saber se existia algo antes.

Porém, ao olhar para o céu, ver a lua cheia, ou na falta da lua, ver as estrelas, e entender que em algum lugar ali houve uma vez uma estrela que explodiu e outra e outra, que tinham surgido de outras estrelas ainda, e assim vai, até que, voltando ao passado, toda a energia que hoje me compõe, que são meus átomos, minhas energia, meu pensar, minha raiva, minha fome, meu amor e meu ódio, tudo aquilo que eu simplesmente sou pode ser traçado até aquele ponto único, aquela singularidade, aquele ínfimo início do nosso universo. E eu, nesse momento, sou um, com o todo; sem deuses, sem mitos, sem vergonha, sou parte de um universo belo, complexo e com um sem número de possibilidades maravilhosas a explorar.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eleições - Uma outra análise é possível

Eu acho bem interessante observar os dados da eleição. Principalmente aqueles que não são divulgados pela mídia.

Qualquer um pode ir ao site do TSE e buscar os dados na parte de divulgação. Mas poucos vão lá e poucos observam qualquer coisa a mais do que quem ganhou ou quem foi para o segundo turno. Nesse post analisarei os dados de quem não votou.

Para tanto, mostrarei alguns dados disponíveis no supracitado site de divulgação:

Eleitores Cadastrados: 135.804.433
Abstenções: 24.609.827
Votos Válidos: 101.589.387
Votos Inválidos: 9.603.521, dos quais:
Votos Brancos: 3.479.332
Votos Nulos: 6.124.189
Dados com 99,99% das urnas apuradas em 04/10/2010 às 13:10h

Por um motivo ou outro, 34.210.684 de eleitores não somam o montante de 101.585.646 votos válidos. Isso significa que 25,19% do eleitorado ou estavam fora do seu domicílio eleitoral ou tinham coisa melhor que fazer e depois resolveriam com a justiça eleitoral (abstenções) ou acham que qualquer um dos candidatos servem (votos brancos) ou acreditam que nenhum dos candidatos serve (votos nulos).

As abstenções, que somam a maior parte dos eleitores que não são computados para definir os vencedores do certamen eleitoral podem ser divididos em dois grandes grupos: o primeiro é o das pessoas que estavam viajando, a trabalho ou laser, e ou não podiam votar em trânsito por não estarem na capital de um estado, ou não quiserem se inscrever para votar em trânsito; e o segundo são as pessoas que se mudaram para longe de seu domicílio eleitoral e não mudaram o domicílio e não se dispuseram, por um motivo ou outro, a voltarem para seus domicílios. É importante marcar que, em qualquer um desses casos, a maioria simplesmente não se importa o suficiente para se esforçar para votar.

Para deixar mais claro, um em cada quatro brasileiros simplesmente não se dispuseram a votar em qualquer candidato que fosse. Para mim, esse número deve trazer uma discussão séria sobre o processo eleitoral. E digo mais: algumas mudanças são urgentes, como tornar o voto facultativo. Para cargos do legislativo, não deveria haver campanha de candidatos, apenas de partidos, pois o STF (Supremo Tribunal Federal) já decidiu que o mandato é do partido, uma vez que o candidato só entra se o partido ou coligação que ele faz parte tiver votos suficientes para, na formulação do quosciente eleitoral conquistar pelo menos uma vaga. Mais que isso, depois de empossado ele deve votar no que o partido determina, sob pena de, se reiteradamente descumprir isso, ser expulso do partido e perder o mandato.

Esse dois acabariam com o voto que não é consciente, ou seja, todo voto definido através de qualquer forma que não o estudo da história e das propostas de cada candidato. Isso não significa, de forma nenhuma, acabar com votos bracos e nulos, os quais pode, sim, serem conscientes.

Ao contrário, significa que cada voto realmente terá valor por aqueles que comparecerem às urnas o farão de bom grado e real vontade própria, o que anão aocntece hoje, que vai-se às urnas para não se sofrer sanções do estado. São exatamente essas sanções que transformam o voto em dever, tirando dele o status de direito.

Mais que isso, quando observamos os dados com os candidatos e jogamos os percentuais considerando não apenas os votos válidos, mas todo o universo de eleitores cadastrados:

100,00% Votos Possíveis: 135.804.433
25,19% Votos não-contabilizados: 34.213.348 (abstenções, brancos e nulos)
35,09% Votos em Dilma: 47.651.108
24,40% Votos em Serra: 33.131.867
14,46% Votos em Marina: 19.636.335
Os demais candidatos não atingiram 1,00% cada.

Fica claro que, dentro de todo o universo de eleitores cadastrados, apenas um candidato possui mais votos que a soma das abstenções, votos brancos e votos nulos; e que, mesmo assim, possui pouco mais de um terço desses.

Reparem, também, que se considerado todo o universo de eleitores cadastrados, a diferença entre os candidatos cai, e pode-se ver claramente a porcentagem de eleitores que realmente preferem um ou outro candidato, diminuindo de 14% para 11% a diferença entre Dilma e Serra e de 13% para 10% a diferença entre Serra e Marina.

O que esses números realmente querem dizer cabe a cada um decidir, mas, para mim, eles dizem que é extremamente necessário pensar e mudar nosso sistema eleitoral.